28 de julho de 2009

Monstros da Noite !

Às vezes, tenho medo de viver. Medo de arriscar, de ir à luta. Seja com o que for, não tem de ser só no amor. Falamos todos em amor, mas não é só por ele pelo qual temos que lutar. Tenho medo de, por vezes, arriscar pela felicidade. Ou com medo de a perder. Não arrisco porque estou a pensar no trambolhão que poderei mandar. Ou com medo do que os outros pensam. Tenho medo de mim, das novas reacções que posso provocar. Tenho medo de sentir ódio ou, pelo contrário, sentir amor. De sentir frustração em vez de alegria. De sentir pena ao invés de sentir orgulho. Mas é só às vezes. E então deito-me e fecho-me na minha concha, com os braços em redor das pernas, como quando era pequenina e me escondia debaixo dos lençóis, com medo que os monstros da noite me roubassem o coração. Não que isso me matasse, mas tinha medo de ficar com um grande buraco e vazio mesmo no meio do meu peito.

27 de julho de 2009


Wawawawa, eu quero é bronzear-me e ter dinheiro para ir aos Saldos.
Eu quero é comprar um relógio da Swatch. Eu também quero saber porque é que os relógios não estão em saldo. E quero rir de coisas parvas. E arrotar.
Enfim, eu quero (e estou a) viver o meu Verão.


- Estou a ter um ataque à Constançaaaa ! :b

24 de julho de 2009

Soure é terra de bêbedos. É do Bar da Alice.

Não quero que este texto tenha graça. Embora me ria quando me lembro. O medo paralisa. Mas a primeira coisa que querem fazer quando vêem um sujeito mal-encarado a vir ter com vocês, é fugir. Nós também queríamos. Mas o medo paralisa. Paralisa ainda mais quando o sujeito vos olha com cara de mau, pede o BI e pergunta a idade. As nossas mentes pequeninas pensam em CSI e violações. Enquanto vocês vêem a vida a correr-vos à frente dos olhos e o coração quase vos sai pela boca, o homem ri-se e assustam-se com os dentes dele (ou com a falta deles). Diz que está bêbedo. Que está a brincar. Que não nos queria assustar. E vai-se embora a chupar o cigarro. Um segundo de reacção e “’Tá a correr!”. Não tem graça. Nós éramos 3 meninas indefesas e o homem tinha mau aspecto. Foi um cagaço do caraças. ( Se ele fosse novo, dizia que era mitra. Era velho, só podia ser chunga. ).

P.S. – Hoje perdi o comboio. Foi frustrante, mais 10 segundos e chegava à porta. Revisor filho da mãe. Mas se isto é a adrenalina da Vida, eu gosto de perder comboios. Também não percebo porque é que sou a única a assustar-me no cinema com um filme do “Harry Potter”. Eu berro. A Joana pula por causa de mim. A sala ri-se. Não tem mesmo piada. Sou uma mente sensível. Tanto em filmes, como com sujeitos de mau aspecto.

21 de julho de 2009

palavras murchas.

Quando não temos nada para escrever dizem que é falta de inspiração. Eu digo que quando não se escreve, não há nada para sentir. Que quando a minha mente está tão vazia que só saiem palavras sem sentido é porque o meu coração chora sozinho sem nada, sem o nada que não sente. Apetece-me abrutalhar as palavras e torná-las frias, ao sabor da corrente em que navego, no redemoinho de sonhos esvaziados de realidade que por aqui voam. Apetece-me ferir-vos com textos tristes e palavras negativas, como se a vida não tivesse qualquer sentido e tudo fosse um amontalhado de problemas que eu construo nos tempos livres. Como se os meus pensamentos fossem os piores do mundo e o pessimismo fosse o meu melhor amigo. Gostava de vos fazer sentir esta angústia, conseguir transmiti-la em palavras e ver a agonia na vossa cara, até sentirem pena. Mas nem isso sou capaz. Parece que a escrita morreu. O meu coração nada sente, nada tem para sentir e, por isso, nada para escrever. Sou um corpo vazio num coração dormente. Mas esquece lá o pessimismo e, como todos dizem, se calhar é só falta de inspiração.

16 de julho de 2009

livro da vida.

Estou num estado latente.
Um género de visão assustadora de alguém com a cabeça nos joelhos e o interior despedaçado. Não passo de alguém que teve coragem de sonhar e que caiu. Sou um ponto estagnado, já não avanço nem recuo. Não hesito, não decido. Limito-me a existir e a passar os dias a mostrar uma coragem fingida, uma força que não há e que todos dizem ver. Já não controlo o rio de água salgada que jorra pela cara abaixo. São incontroláveis, parece que a barragem encheu e as comportas abriram sem forma de as fechar. Sinto-me a esvaziar, rapidamente, a perder a noção da realidade e do aceitável. Sou uma mera espectadora da minha vida. Não participo. Sou um tijolo que já não aguenta o peso das responsabilidades que eu própria construi. O meu desafio é continuar de olhos abertos, nem que seja para ver a vida a passar.
Estou esgotada. Estou sinceramente cansada.

15 de julho de 2009


Adeus sonho.
(gostei de sonhar contigo,
de andar iludida numa esperança
que não existe)

14 de julho de 2009

osciloscópio de sensações

Banho de palavras sem sentido, simplicidade complexa difícil de compreender. Exotismo , catastrofismo, furacão em mim, que me levas o telhado e me deixas a descoberto. Fazes o racional parecer ilógico, essa cadeia deixa de ser cíclica, abanas de tal maneira o eco vazio da minha voz que as raízes se desprendem, como lapas rendidas. És maré cheia que molhas, que embebes as minhas areias para as levar contigo, como recordações e memórias de um dia que o Sol leva consigo. És parede rachada, água que entra nas brechas e que observo. Infiltração. Infiltração de lembranças, tapa esse buraco, sê parede consolidada, não sejas calcário corroído pela chuva ácida que também tu deixas cair sobre mim. És luz reflectida em neve branca, luz da neve, coisa fria que me atrai, que me leva ti. És magnético, és neve magnetizada, és pólo norte e eu sul, é atracção. És guitarra eléctrica e rock’n’roll, és musica pesada, lotação esgotada.
Framboesa afrodisíaca, grande, saborosa, cor-de-rosa. Sismo intenso, réplicas sucessivas que causas no (meu) mundo, não me deixas adormecer, és vulcão explosivo, és tsunami e, quando penso que não podes ser mais nada, és movimento lento e progressivo, és deslocação subtil e flor a desabrochar. És acorde suave do piano, és corda que vibras no violino, és flauta mágica.

És tudo e nada, és a força da (minha) Natureza, vem até mim e com a fúria de páginas arrancadas e acordes sintonizados, ama-me.

13 de julho de 2009

e tudo o que o vento levou ...

Espero pelo dia em que seja capaz de tocar o vento. Não de o sentir no meu rosto e arrepiar-me, aconchegando-me nos teus braços para me refugiar. Tocá-lo verdadeiramente. Viajar com ele. Sentir os cheiros que trás de longe e as cores da primavera.
Ver o reflexo do Sol espelhado nas suas aragens, sentir os segredos que conta às folhas e a resposta que elas lhe dão, acreditar que o simples passar do vento seja capaz de pôr tudo em movimento – espero pelo dia em que ele ponha o meu coração a abanar, pelo dia em que o vento lhe conte um segredo e o meu coração seja capaz de o ouvir, pelo dia em o meu coração sinta o reflexo das nuvens nele.
Espero pelo dia em que os girassóis não sejam mais que pontos amarelos a estremecer à sua passagem. Quero as cores em mim, quero as cores no vento – cores pastel que me preenchem docemente, seguidas de pinceladas vivas, de cores fortes, e espero pelo dia em que o vento virá para secar a tinta e imortalizá-la no meu corpo.
Sonho com as correntes de convecção, ar quente sobe, ar frio desce – ah sim, quero essas oscilações de quente e frio.
Quero que sejamos cúmplices. Quero que sejas vento e que passes por mim uma única vez.

- mas que seja inesquecível.

11 de julho de 2009

simples, barato e dá milhões ?

- devia ser uma resposta rápida, simples e sem hesitações. Sim ou Não. Apenas isso.
- eu sei que não devia estar com rodeios, mas quando nos acontece não é assim tão fácil.
- porque não? Gostar ou não de alguém é uma coisa simples, é um sentimento inconfundível. Sim ou não, Susana.
- eu sei. Mas não estou pronta para voltar a tentar, percebes? Quer dizer, não quero ser apenas uma obsessiva que anda desesperada a encontrar a alma gémea. Sinto-me bem como estou, sem andar à procura de amores falsos. Gosto de como estou, tenho tempo para os meus amigos e, principalmente, tempo para mim. É bom. E então a resposta deve ser não.
- mas se achas que é não, porque é que passas o tempo a pensar nisso? Se calhar não é bem um não que queres dizer.
- mas é um não que eu quero sentir.
- pois, mas entre querer e sentir
- não leves as coisas por esse rumo. Eu quero que seja um não. E quero que por uma única vez, a razão seja mais forte que o coração. É assim tão difícil?
- é. Sentes sim e queres não, e digo-te, é por causa desse paradoxo que estás continuamente a matutar nisso. O amor vai ganhar a batalha.
- pode ganhar a batalha, mas não ganha a guerra.
(será que à 3ª é sempre de vez?)

9 de julho de 2009

poker love ?

O amor é como um jogo de cartas. Podemos perder ou ganhar.
Só sei que tenho de apostar, não ter medo de arriscar, vou dar tudo o que tenho e logo se vê.
Posso ganhar, conseguir fazer uma sequência real, ou perder tudo o que tinha, se fizer um par. Não interessa, na verdade só tenho que pensar no que há para alcançar. É preciso ser ambicioso até no amor, querer atingir o cume, lutar para lá chegar.
Perdi? Posso sempre pedir um empréstimo à felicidade, sei que a pouco e pouco consigo levantar-me. A sorte pode estar do meu lado, não a vou desperdiçar só porque prefiro viver no conforto da estabilidade. Eu gosto de Montanhas Russas, de cair e levantar-me, é bom, dá-me a sensação de que tenho poder sobre mim mesma e que posso recuperar de qualquer queda.
Recebi agora o meu jogo.

- sabem? vou apostar tudo o que tenho.

desabafos.

- hoje apercebi-me que tenho saudades de estar apaixonada. De sentir as borboletas na barriga, a cara corada, os dedos irrequietos e os olhos brilhantes. Que tenho saudades de lutar para que dê certo, de conversar, de partilhar momentos e dar amor. É normal?
- não sei. Também sentes saudades de chorar, de dares o que tens a alguém que pode não merecer?
- e como sabemos se merece ou não? A vida é um risco.
- talvez. Mas temos que controlar os impulsos. Às vezes dizemos que estamos apaixonados e nem conhecemos a pessoa de verdade. É preciso tempo, Sue.
- é, tens razão. mas sabes, também me apercebi que não preciso de nada disso para ser feliz.

8 de julho de 2009

sabem aqueles dias que não deviam ter saído de casa? pois ...

É mesmo assim. Hoje devia, definitivamente, ter ficado em casa a estudar Biologia. É que o exame está quase. Mas não, a Susana estava fartinha de estudar as plantinhas e as rochinhas e tirou folga hoje. Dito e feito. Estava tão bem em casa.
E assim foi, lá fui eu na minha bicicletazita, de selim mais rijo que eu sei lá, pela estrada fora.

- fui ver os resultados dos exames;
- deixei lá 8€ e meia hora da minha vida;
- parti o pedal da bicicleta, o que me fez ir até à piscina a pedalar só com uma perna;
- fiquei com a nádega direita dorida por causa disso;
- deixei cair a chave do cacifo no balde da limpeza (espero que aquilo não tenha limpo as sanitas :x );
- fiz um escândalo porque o cacifo não abria (falta de habilidade por parte das minhas mãos);
- desmontei os meus óculos de Sol porque perdi um parafuso;
- a mulher da loja de óculos não tinha parafusos daquele tamanho – a loja ao lado já tinha (pontaria, pontaria!);
- para vir para casa, liguei ao meu pai para me ir buscar a mim e à dita bicicleta. Fartei-me de esperar;
- acabei por fazer 3 km a pé com a bicicleta e a torrar (vá, havia uma descida);
- quando estava quase a chegar, o meu pai apareceu. Em vez de me levar para casa de carro, abre o porta-bagagens e tira outra bicicleta. Põe lá a minha e arranca.
- fiz mais 1km, sempre a subir – ao menos o selim era bom (:

É por estas e por outras, que eu antes de dia 16, não saio mais de casa.

6 de julho de 2009

afinal , o Luís de Camões já lá vai ...

"Cristiano Ronaldo representa o símbolo português em Espanha"

Li isto no rodapé da TVI , enquanto almoçava, e vou ser sincera : ia vomitando o meu saboroso Bacalhau com Natas.
Não querendo desrespeitar quem o admira e é seu fã , eu cá não gosto da ideia de ver a minha nacionalidade representada pelo menino da mamã , convencido e arrogante que ele é (ah, esqueci-me da falta de humildade , obrigada Ritinha ;] ).

- desculpem lá , mas não me venham com coisas.

5 de julho de 2009

Sinto saudades de coisas que não voltam.
Sinto saudades de momentos importantes e gestos simples, sinto falta de carácter nas palavras e de humor discreto e irónico em certos casos.
Sinto falta de baboseiras ditas da boca para fora e risos histéricos, sinto, acima de tudo, falta de mim mesma.
Sinto saudades deles. Não de aquele, mais aquela e aquele, mas de todos em conjunto. Porque sentir a falta deles, é sentir falta de mim.

Sinto falta, apenas.

1 de julho de 2009

Dança comigo. Como dançámos antes.
Controla os meus movimentos com a suavidade que só tu tinhas, faz-me deslizar pelo chão como se eu fosse água, agarra-me no momento certo e faz-me rodopiar.
Diz-me que ainda ouves a valsa que dançávamos, diz-me que tens vontade de te mexer quando os acordes te chegam aos ouvidos, diz-me que ainda continuamos a viver no mesmo tom, sem desafinar, que continuamos a mexer os pés no compasso certo.
Sabia a coreografia toda de cor, todos os movimentos até ao mais ínfimo detalhe, mas nunca te disse que fazia de propósito para me enganar, só para te ter mais tempo junto a mim, só para repetir a valsa do início, só para sentir os nossos passos a espalhar magia no salão, mais uma vez.

Diz-me que ainda sonhas com isso. Diz-me que ainda sabes os movimentos. Melhor, diz-me que ainda moves a tua vida ao som da nossa valsa. Diz-me.