28 de janeiro de 2009

São meras palavras.


Nada me diz o que sentes, são meras palavras. Foram esperanças vãs embrulhadas em rebuçados felizes. Nada me diz que o sentes, sequer. Não basta dizer, mas sim dizer com o sentimento. É a sensação de dor. É a sensação da perda.

Nem que me afogue em lágrimas, mas superarei. Nem que me enterre em palavras amargas e sorrisos negados, há-de chegar o minuto eterno em que me entregarei aos céus da tranquilidade e da paz, pés descalços em flores coloridas.
Não chores, não chores. Não mostres a tua fraqueza, não mostres os teus pontos fracos. Não mostres o quanto te magoa esse desprezo frio e essas desculpas falsas. Não mostres que estás capaz de rastejar no chão de tanta dor que sentes. Não mostres, Susana.

Sinto-me uma só, sinto-me muitas e nenhuma. Não me conheço, não me encontro. Olho-me ao espelho e assusto-me com o resultado: vejo lábios de amargura, cabelos de solidão, olhos de vazio e face de abandono. Vejo o coração pendurado ao pulso e penso “como foste verdadeiro e agora não me dizes nada”. Viro as costas a este cenário, tento encontrar o novo caminho, (talvez) o certo. Não consigo, simplesmente encontro-me num beco sem saída, chama-se desilusão. Tenho que voltar para trás, percorrer o mesmo trilho, desta vez, (re)vivendo as recordações e aprendendo com elas. Sofrendo com elas. Vendo a felicidade que será tristeza nos meus olhos. Vendo sorrisos onde hoje estão lágrimas.

Quero por tudo numa só frase e não encontro as palavras. Quero por tudo numa só lágrima e não encontro a força necessária. Quero por tudo para trás das costas e não encontro a coragem. Quero sentir o arrependimento. E só sinto ainda a esperança vã que me atormenta. Uma esperança vã que não me dá alento, uma réstia de luz que quero apagar para seguir em frente e não me larga. Que me mantém presa no tempo. Que não me seca as lágrimas, que não me fecha os olhos.
Tens a chave, terás para sempre. É tua. Leva-a, faz com ela o que quiseres. Mas, quando voltares, a fechadura pode ser outra.
– “Às vezes a fechadura cede mesmo com a chave errada.” – Pois cede. Mas podemos evitar. E, por um momento, pensarei em mim. E vais ver, a fechadura não vai ceder. Vai-te soar fria, cruel. E distante. Porque já a tiveste bem perto e segura, já a tiveste no coração e não deste valor.
Nada me diz o que sentes, são meras palavras. A verdade vejo-a eu nos teus olhos. É o final, é o ponto final. É o céu a desabar e a dor no peito. Insuportável, agoniante. São os pés descalços em chão duro e frio, é o vento que corta, é a lágrima que suporta.

Deixarei de viver em função de ti, tal como intimamente o desejas, sem o expressar. Deixarei com que este coração pense somente em ti.

Sim, nem que me afogue em lágrimas.

25 de janeiro de 2009

(re)lembro as sensações


Debruço-me hoje sobre a folha de papel, ainda a pensar no que quase fiz.
Ainda bem que não aconteceu. Nem sei como me controlei, foi mesmo difícil.
Foi hoje mesmo que descobri que, quando entro no meu subconsciente, não penso por mim própria, sigo os meus instintos.
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Estavam todos embrenhados no filme que viam, até ela. Num certo momento, desligou do filme. Recordou a forma como ele lhe acarinhava a face, recordou a forma como ele a olhava intensamente nos olhos, recordou a forma como lhe sorria. Recordou a maneira como lhe pegava na mão e a beijava apaixonadamente.
Naquele mesmo instante, naquela mesma sala cheia de amigos e conhecidos, reviveu tudo de tal forma que sentiu os lábios dele sobre os dela, sentiu o seu cheiro, sentiu o seu toque. Olhava para o televisor sem ver nada, os seus olhos estavam bem mais longe, num sonho só dela. Sentiu-o como antes o sentira.
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Enquanto estava perdida nas minhas memórias, nem me apercebi que estava alguém ao meu lado. Não queria sair daquela recordação, tinha acabado de (re)viver os momentos em que me senti realmente bem, feliz.
Queria sentir aquele toque para sempre, queria aquela sensação eterna.
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Ela fazia de tudo para não deixar de sentir aquilo. E o alguém que se tinha aproximado, de repente, beijou-a na face. Ela semi-despertou para a realidade, mas nem olhou para o lado para ver quem era. Inconscientemente, aquele beijo reavivou ainda mais a sensação, e aquela respiração quente junto ao seu ouvido quase fez com que ela procurasse aqueles lábios com os seus e os beijasse. Estava iludida, ela pensava somente nos lábios que a fazem feliz, nem sequer considerou que aqueles ali ao lado não eram os que ela desejava, mas eram sim outros apenas.
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Acordei a tempo. Controlei-me depois desta vontade enorme de errar. Sabia que o erro traria muitas consequências. E nenhuma delas era boa. Pensei: "não é isto que queres. Não são estes os lábios com que sonhas".

Conheci-me melhor. Percebi que vou até aos limites do erro quando penso nele e nos nossos momentos. Tenho que aprender a não pensar.
Faço tudo para sentir de novo aqueles lábios. Para ter aquela sensação de novo.
Não devia ter ido tão longe. Foi um erro.
Mais um.

22 de janeiro de 2009

Momentos Intensos


Inspiração. Hoje falta-me muita, mas também há muito por dizer, há muitas palavras para escrever, sentimentos para expressar, sonhos para realizar.

Amo-te? Não, já não significa nada. É pouco dizer que te amo. Tem sentido se for seguida de ‘desejo-te’, ‘quero-te’, ‘abraça-me’ e ‘beija-me’. Todas juntas, sim, ‘Amo-te’ faz sentido.
Abraça-me sem fim, meu bem. Abraça-me e não me largues nunca, leva-me contigo para onde quer que vás, eu seguir-te-ei sempre, sempre !

Beija-me. Apaixonadamente, como só tu sabes fazer. Faz com que eu tenha que desviar o meu olhar do teu, por me sentir envergonhada com a tua presença.
Faz-me voar, amor, como fazes quando me tocas. Isso, toca-me. Percorre o meu corpo com a tua mão suave, pára nos meus lábios para os silenciar e olha-me. Diz que queres tanto como eu, diz que precisas. “Eu preciso.”. Preciso de ti, preciso de sentir o teu calor, o teu cheiro.
Arrepia-me. Fecha-me os olhos e o teu simples respirar perto da minha face arrepia-me.
Liberta as correntes do meu corpo, corta o frio em mim e dá-me vida, dá-me luz. Eu sei que és capaz.

Aí, aproxima-te de mim, aconchega-me e encosta os teus lábios aos meus, e não te afastes. Se não me agarrasses nesse momento, eu flutuaria. Porque és o único que consegue acelerar e abrandar o meu coração ao mesmo tempo.


Agora sim, Amo-te!

16 de janeiro de 2009

A vida passa e nada deixa.


Azul. O céu estava azul. Um azul intenso, límpido, apenas se viam umas réstias brancas espalhadas. O sol brilhava, de forma suave mas enérgica ao mesmo tempo.
Estava-se bem na rua. Eu caminhava lentamente pela relva fofa do parque, parecia que estava a flutuar e não tocava no chão. Era uma sensação agradável. Viam-se famílias a aproveitarem a tarde amena do Outono. Não me viam, estavam embrenhadas no seu momento em conjunto e nas brincadeiras. Deitei-me e fiquei a olhar para o céu. Via as nuvens a movimentarem-se lentamente, a adquirirem novas formas e feitios. Senti a brisa leve e fresca na minha face e fechei os olhos.
Sentia o Sol na minha pele, e ouvia ao longe os risos alegres de crianças.
Fui transportada, pela minha mente, para outro lugar. Via-me ali, naquele mesmo parque, mas à algum tempo atrás. Estava feliz, estava-me a rir. Via-se a felicidade nos meus olhos e no som do meu riso. Andava de baloiço como se fosse uma menina pequena e descia no escorrega como uma criança corre para um gelado. Não estava sozinha. Estava alguém comigo, mas que não distinguia ao longe. Conhecia aquele vulto de algum lado, a forma de se mexer e de me tocar, mas não me lembrava quem era. Mas via-se que essa sombra me fazia sorrir. Aproximei-me para ver quem era e, logo após ter reconhecido a pessoa, arrependi-me de me ter aproximado. A lágrima caiu. E a seguir outras jorraram dos meus olhos incessantemente. Queria sair daquele sonho. Queria abrir os olhos!
Acordei repentinamente, estremunhada e ainda angustiada por ter visto aquela cara novamente. Os soluços formavam-se na minha garganta e eram incontroláveis.
Levantei-me e olhei à minha volta. O parque estava agora vazio. Estava a anoitecer e chovia. A chuva molhava-me as roupas e a cara, escorria e misturava-se com as lágrimas. Uma luz rasgou o céu e ouviu-se o trovão segundos a seguir. O vento, agora forte, revolteava os meus cabelos com tanta violência que parecia querer levar-me com ele. Olhei à minha volta, ainda confusa por ter adormecido e tentado orientar-me. E vi (-o). Vi aquele vulto. E reconheci nele a forma de se movimentar. Relembrei o sonho e sim, era ele. Quando voltei a olhar, tinha desaparecido. A lágrima rolou (de novo).
Saí do parque ainda a soluçar. Tinha frio e estava angustiada.
Porque enquanto fechei os olhos no parque, a vida continuou a correr. E eu perdia o tempo a voltar aos sonhos quando, na verdade, a pessoa que eu (não) queria relembrar se encontrava no mesmo local que eu.
Porque o tempo avança e tudo muda.